{"id":2716,"date":"2020-05-19T10:44:34","date_gmt":"2020-05-19T13:44:34","guid":{"rendered":"https:\/\/reatechbrasil.com.br\/16\/?p=2716"},"modified":"2020-05-19T10:44:34","modified_gmt":"2020-05-19T13:44:34","slug":"por-filha-surda-mae-faz-mascara-transparente-acharam-que-era-pelo-batom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/reatechbrasil.com.br\/16\/por-filha-surda-mae-faz-mascara-transparente-acharam-que-era-pelo-batom\/","title":{"rendered":"Por filha surda, m\u00e3e faz m\u00e1scara transparente: &#8220;Acharam que era pelo batom&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\n\tQuando a professora Arlene Cristina, 51, saiu na rua usando uma m&aacute;scara adaptada com transpar&ecirc;ncia na regi&atilde;o dos l&aacute;bios, muitas pessoas estranharam e encararam o seu rosto. &quot;As pessoas olhavam. Acho que eles pensaram que eu queria mostrar o meu batom&quot;, brinca. A transpar&ecirc;ncia no lugar do tecido, no entanto, n&atilde;o era resultado de simples vaidade. Arlene decidiu fazer a m&aacute;scara adaptada para que a filha Nathalie Cooper, 26, pudesse enxergar sua boca: deficiente auditiva, a jovem faz uso da leitura labial para se comunicar.\n<\/p>\n<p>\n\tDiagnosticada com surdez bilateral aos 5 anos de idade, Nathalie &eacute; surda oralizada &mdash; ou seja, ela consegue falar e se comunica pelo portugu&ecirc;s, mas precisa da leitura labial para compreender os outros.\n<\/p>\n<p>\n\t&quot;Eu achava que ela escutava porque ela falava muito bem. At&eacute; que um dia, no hospital, uma m&eacute;dica colocou uma sulfite na frente [da boca] e ela falou: &#39;N&atilde;o estou te ouvindo&#39;&quot;, conta Arlene. &quot;A m&eacute;dica falou que ela estava fazendo a leitura labial, que n&atilde;o estava escutando.&quot;\n<\/p>\n<p>\n\tCom a necessidade do uso de m&aacute;scaras devido &agrave; pandemia do novo coronav&iacute;rus, Nathalie conta que novas dificuldades t&ecirc;m aparecido em sua rotina e que, por isso, tem se sentido &quot;impotente&quot;. &quot;N&atilde;o consigo mais me virar sozinha. N&atilde;o d&aacute; para ficar pedindo para as pessoas tirarem a m&aacute;scara&quot;, afirma.\n<\/p>\n<p>\n\tTutorial na internet\n<\/p>\n<p>\n\tA ideia da m&aacute;scara transparente, conta Arlene, surgiu depois que Nathalie precisou ir ao banco para falar com seu gerente. Como os funcion&aacute;rios estariam usando m&aacute;scaras, a jovem pediu para a m&atilde;e acompanh&aacute;-la para ajudar na comunica&ccedil;&atilde;o. A situa&ccedil;&atilde;o, no entanto, acabou causando ainda mais nervosismo.\n<\/p>\n<p>\n\t&quot;Ela falava com o gerente, mas toda hora eu tinha que tirar a minha m&aacute;scara para transmitir para ela o que ele falava&quot;, conta Arlene, que diz logo ter percebido o inc&ocirc;modo da filha. &quot;&Eacute; perigoso. Eu ficava muito preocupada&quot;, concorda Nathalie.\n<\/p>\n<p>\n\tEm casa, a m&atilde;e procurou alternativas na internet e encontrou um tutorial que ensinava a fazer a m&aacute;scara adaptada &mdash; s&oacute; foi necess&aacute;rio ajustar o molde &agrave;s suas medidas. Arlene diz que, apesar do pl&aacute;stico transparente na regi&atilde;o dos l&aacute;bios, a m&aacute;scara n&atilde;o incomoda mais do que as que s&atilde;o feitas integralmente de tecido.\n<\/p>\n<p>\n\t&quot;Toda m&aacute;scara incomoda. Para mim, [a m&aacute;scara adaptada] tem o mesmo n&iacute;vel de inc&ocirc;modo que a de tecido. Eu respiro normalmente porque o tecido vai at&eacute; o nariz&quot;, explica.\n<\/p>\n<p>\n\t&quot;Fiquei muito aliviada porque deu certo, deu para entender, e [com a m&aacute;scara] era um risco a menos&quot;, diz Nathalie. Contente, a filha decidiu postar uma foto da m&atilde;e usando a m&aacute;scara nas redes sociais &mdash; e a publica&ccedil;&atilde;o acabou viralizando.\n<\/p>\n<p>\n\t&quot;Fiquei feliz, porque &eacute; uma coisa que muita gente n&atilde;o sabia. E pessoas deficientes auditivas que viram a postagem se sentiram representadas. At&eacute; fiquei de enviar m&aacute;scaras para duas meninas do Rio de Janeiro, vou mandar pelo correio&quot;, conta Arlete.\n<\/p>\n<p>\n\t&quot;N&atilde;o consigo ir &agrave; padaria&quot;\n<\/p>\n<p>\n\tMesmo com a adapta&ccedil;&atilde;o de m&aacute;scara feita pela m&atilde;e, Nathalie conta que perdeu muito de sua independ&ecirc;ncia com a pandemia e a necessidade do uso de m&aacute;scaras nas ruas.\n<\/p>\n<p>\n\t&quot;N&atilde;o consigo fazer coisas simples, como ir &agrave; padaria. Percebi que fiquei ainda mais reclusa&quot;, diz.\n<\/p>\n<p>\n\tEla faz um apelo para que, neste momento, as pessoas pensem em quem tem defici&ecirc;ncias auditivas. &quot;Quando se fala em acessibilidade, todo mundo pensa no cadeirante&quot;, pondera.\n<\/p>\n<p>\n\t&quot;As pessoas n&atilde;o t&ecirc;m informa&ccedil;&atilde;o. Inclusive, um rapaz foi grosseiro comigo [nas redes sociais] e me acusou de obrigar ela a fazer leitura labial em vez de usar Libras, mas eu nunca obriguei&quot;, diz Arlene. &quot;Dentro da surdez tem muita diversidade&quot;, conta.\n<\/p>\n<p>\n\tFONTE:<br \/>\n\t<a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/saude\/ultimas-noticias\/redacao\/2020\/05\/18\/por-filha-surda-mae-faz-mascara-transparente-acharam-que-era-pelo-batom.htm\">UOL<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a professora Arlene Cristina, 51, saiu na rua usando uma m&aacute;scara adaptada com transpar&ecirc;ncia na regi&atilde;o dos l&aacute;bios, muitas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0},"categories":[11],"tags":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/reatechbrasil.com.br\/16\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2716"}],"collection":[{"href":"https:\/\/reatechbrasil.com.br\/16\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/reatechbrasil.com.br\/16\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/reatechbrasil.com.br\/16\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/reatechbrasil.com.br\/16\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2716"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/reatechbrasil.com.br\/16\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2716\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2717,"href":"https:\/\/reatechbrasil.com.br\/16\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2716\/revisions\/2717"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/reatechbrasil.com.br\/16\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2716"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/reatechbrasil.com.br\/16\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2716"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/reatechbrasil.com.br\/16\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2716"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}