{"id":3062,"date":"2020-11-09T10:36:37","date_gmt":"2020-11-09T12:36:37","guid":{"rendered":"https:\/\/reatechbrasil.com.br\/16\/?p=3062"},"modified":"2020-11-09T10:36:37","modified_gmt":"2020-11-09T12:36:37","slug":"pessoas-com-deficiencia-usam-redes-sociais-para-combater-preconceitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/reatechbrasil.com.br\/16\/pessoas-com-deficiencia-usam-redes-sociais-para-combater-preconceitos\/","title":{"rendered":"Pessoas com defici\u00eancia usam redes sociais para combater preconceitos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Influenciadores digitais\u00a0<\/strong>com algum tipo de\u00a0<strong>defici\u00eancia f\u00edsica<\/strong>\u00a0t\u00eam combatido o preconceito com humor e informa\u00e7\u00e3o. V\u00eddeos que exp\u00f5em problemas di\u00e1rios enfrentado por pessoas com defici\u00eancias e que falam sobre reconhecimento e empoderamento conquistam milhares de seguidores no Brasil. Conversamos com quatro nomes que s\u00e3o refer\u00eancia nacional na redes sociais para falar sobre igualdade e como evitar a cultura do capacitismo.<\/p>\n<h2>O que \u00e9 capacitismo?<\/h2>\n<p>Capacitismo \u00e9 um termo usado para caracterizar o preconceito contra pessoas com defici\u00eancia. A palavra vem do ingl\u00eas\u00a0<em>ableism<\/em>, que significa, em tradu\u00e7\u00e3o literal, &#8220;capacidade&#8221;. Na pr\u00e1tica, uma pessoa capacitista discrimina pessoas com caracter\u00edsticas f\u00edsicas, sensoriais e intelectuais que fogem do que consideram um &#8220;padr\u00e3o normal&#8221; da sociedade. Esse preconceito pode ser aparente, mas tamb\u00e9m pode ser velado.<\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o j\u00e1 considera o capacitismo um crime. Institu\u00edda em 2016, a Lei Brasileira de Inclus\u00e3o define, no art. 4, que &#8220;toda pessoa com defici\u00eancia tem direito \u00e0 igualdade de oportunidades com as demais pessoas e n\u00e3o sofrer\u00e1 nenhuma esp\u00e9cie de discrimina\u00e7\u00e3o&#8221;. Assim, uma pessoa capacitista pode ser presa ou pagar uma multa por esse preconceito.<\/p>\n<h2>Humor como aliado<\/h2>\n<p>Com a camisa escrita &#8220;Deficiente \u00e9 o seu preconceito!&#8221;, o influcenciador digital\u00a0<strong>Ivan Baron<\/strong>, de 22 anos, contou ao<strong>\u00a0Estado de Minas<\/strong>\u00a0um pouco da sua trajet\u00f3ria na internet. &#8220;Essa palavra influenciador \u00e9 muita responsabilidade, mas eu resolvi ocupar esse espa\u00e7o pois eu tinha uma necessidade de passar informa\u00e7\u00f5es, novos conceitos sobre pessoas com defici\u00eancia que outros influenciadores n\u00e3o passavam&#8221;.<\/p>\n<p>Ivan t\u00eam mais de 43 mil seguidores no Instagram e 122,8 mil no TikTok. Al\u00e9m disso, o influencer do Rio Grande do Norte \u00e9 formado em direito e faz palestras sobre capacitismo.<\/p>\n<p>Baron disse que era uma pessoa muito reservada antes da vida p\u00fablica e que tinha medo da rea\u00e7\u00e3o das pessoas. &#8220;Eu era uma pessoa muito t\u00edmida, que tinha medo de me expor, com medo de as pessoas me julgarem por ser diferente, por pensar fora da caixinha. Ent\u00e3o, sempre guardava pra mim o que eu pensava. At\u00e9 que um dia eu resolvi exp\u00f4r e percebi que tinham outras pessoas que pensavam como eu.\u201d<\/p>\n<blockquote class=\"blockquote-widget col-sm-12 p402_hide\" cite=\"https:\/\/developer.mozilla.org\/\">\n<h3 class=\"txt-gray-base txt-italic text-right mt-0\">Eu vejo muita gente discutir sobre racismo, LGBTQI fobia, feminismo, e essas s\u00e3o quest\u00f5es muito importantes, mas e o capacitismo, cad\u00ea? Ent\u00e3o porque n\u00e3o ocupar esse espa\u00e7o tamb\u00e9m?<\/h3>\n<h4 class=\"text-right txt-italic txt-gray-base\">Ivan Baron, influcenciador digital<\/h4>\n<ul class=\"blockquote-widget__social-list list-inline text-right hidden-print\">\n<li class=\"pr-0\"><\/li>\n<li class=\"pr-0\"><\/li>\n<\/ul>\n<\/blockquote>\n<p>Em suas redes, Ivan n\u00e3o se limita a falar apenas sobre as suas defici\u00eancias. &#8220;Sempre tento escutar outras pessoas com outras defici\u00eancias para falar com as pessoas sem defici\u00eancia&#8221;, comentou. Assim, o influenciador brinca que seu trabalho &#8220;\u00e9 um projeto individual com colaboradores&#8221;.<\/p>\n<p>Para quebrar tantos paradigmas, Ivan usa criatividade em seus v\u00eddeos e comenta que isso se tornou um grande diferencial na hora de passar a sua mensagem. Assim, o humor tornou-se um grande aliado. &#8220;Por que n\u00e3o passar informa\u00e7\u00e3o de uma forma leve e distra\u00edda? O humor acredito que seja uma das melhores formas para isso&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo o jovem, &#8220;n\u00e3o \u00e9 porque \u00e9 com\u00e9dia que a gente n\u00e3o pode fazer nossas cr\u00edticas sociais&#8221;. &#8220;Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 mais um motivo para passar com responsabilidade o que a gente acredita. E eu venho percebendo que as pessoas est\u00e3o amando&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>O influenciador comenta que \u00e9 poss\u00edvel ter uma sociedade menos capacista e mais inclusiva, mas que precisa de ajuda nessa conquista. &#8220;As marcas precisam entender que pessoas com defici\u00eancia conseguem influenciar outras pessoas&#8221;, comentou.<\/p>\n<blockquote class=\"blockquote-widget col-sm-12 p402_hide\" cite=\"https:\/\/developer.mozilla.org\/\">\n<h3 class=\"txt-gray-base txt-italic text-right mt-0\">O futuro \u00e9 acess\u00edvel mas o presente tem que ser inclusivo<\/h3>\n<h4 class=\"text-right txt-italic txt-gray-base\">Ivan Baron, influcenciador digital<\/h4>\n<\/blockquote>\n<div class=\"col-xs-12 ads ads__with-bg hidden-print p-0 mt-25 mb-25 p402_hide\">\n<h2>Multitalentos<\/h2>\n<p>O trabalho com a internet veio naturalmente para a influenciadora digital\u00a0<strong>Juliana Santos<\/strong>. Ela conta que come\u00e7ou para divulgar o seu trabalho como estilista. Aos poucos, Juliana desenvolveu dois projetos on-lines.<\/p>\n<p>&#8220;Quando comecei a criar, eu fazia roupas para mim. Ent\u00e3o, comecei a postar fotos no Orkut e as minhas amigas gostavam. Criei um blog para mostrar os meus looks e virei uma blogueira de moda. O Instagram come\u00e7ou pequeno. Fazia apenas short customizados e, depois, vestidos de noiva. Com isso, as redes deram um &#8216;boom&#8217; e minha vida pessoal se tornou t\u00e3o interessante quanto meu trabalho como estilista&#8221;, comentou.<\/p>\n<\/div>\n<p>Juliana separous projetos em dois perfis. &#8220;Primeiro, tinha uma foto da minha filha comendo papinha e depois duas noivas casando. Ent\u00e3o, tive de separar e fazer dois instagrams: o perfil do atelier, que tem muito engajamento, e o meu pessoal, onde eu falo o que eu gosto, o que eu acredito e defendo&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Santos conta que sempre tenta ensinar alguma coisa, mesmo que em brincadeira.\u00a0 &#8220;Acho que quando a gente come\u00e7a a explicar e falar para as pessoas que o que elas fazem \u00e9 errado, mas n\u00e3o de uma forma agressiva ou querendo militar, faz a pessoa refletir e n\u00e3o querer que eu esteja naquela situa\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Juliana disse que muitas pessoas com corpos &#8220;normais&#8221; a agradecem por ajud\u00e1-las a quebrar esse preconceito. &#8220;Vi pessoas falando que eram capacitistas e n\u00e3o sabiam. Vi outras falando que aprenderam a contratar pessoas com defici\u00eancia e outros contando que param de ver as pessoas com defici\u00eancia como apenas exemplo de supera\u00e7\u00e3o&#8221;, comentou.<\/p>\n<p>Juliana explica que a com\u00e9dia \u00e9 a forma &#8220;abordar assuntos mais s\u00e9rios&#8221;. Mas, ela conta que a essa estrat\u00e9gia come\u00e7ou de uma forma diferente dentro do seu trabalho. &#8220;Comecei a postar os v\u00eddeos mais engra\u00e7ados no TikTok e repost\u00e1-los no Instagram. Ent\u00e3o, o meu conte\u00fado come\u00e7ou a ficar muito mesclado. As pessoas n\u00e3o querem mais ver aquela vida de princesa da Disney&#8221;. Mas, Juliana explica que a proposta n\u00e3o \u00e9 atrair o p\u00fablico\u00a0 apenas pela risada. &#8220;Eu n\u00e3o quero ser a palhacinha do circo sem m\u00e3o. Se voc\u00ea me segue s\u00f3 pela com\u00e9dia e n\u00e3o por quem eu sou, talvez voc\u00ea esteja me seguindo pelo motivo errado&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Fazendo Hist\u00f3ria<\/h2>\n<p><strong>Cacai Bauer<\/strong>\u00a0vem fazendo hist\u00f3ria como a primeira digital influencer com<strong>\u00a0s\u00edndrome de down<\/strong>. Aos 26 anos, a modelo j\u00e1 conquistou mais de 118 mil seguidores. A trajet\u00f3ria on-line de Cacai come\u00e7ou em 2016, quando ela criou um canal no YouTube. &#8220;Minha irm\u00e3, Luiza, queria muito criar um canal de cover e acabou desistindo.\u00a0Aproveitei a empolga\u00e7\u00e3o dela e criei o meu canal. Antes disso eu j\u00e1 postava as minhas apresenta\u00e7\u00f5es de teatro e alguns v\u00eddeos caseiros&#8221;, contou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cacai disse que n\u00e3o via outras pessoas com defici\u00eancias trabalhando como influencers quando come\u00e7ou a carreira. &#8220;N\u00f3s fizemos v\u00e1rias buscas na internet e n\u00e3o encontramos ningu\u00e9m que fizesse o trabalho que eu estava desenvolvendo. Um site para o qual dei entrevista tamb\u00e9m fez a mesma pesquisa e n\u00e3o encontrou.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para a modelo, a forma de produzir o conte\u00fado influencia na recep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Para ela, a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais absorvida por meio da com\u00e9dia. &#8220;Sempre tento fazer o meu conte\u00fado de forma leve e divertida&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As produ\u00e7\u00f5es para as\u00a0<strong>redes sociais<\/strong>\u00a0de Cacai envolvem toda a fam\u00edlia Bauer. &#8220;A minha equipe \u00e9 a minha fam\u00edlia. Minha m\u00e3e cuida da produ\u00e7\u00e3o, minha irm\u00e3 faz as grava\u00e7\u00f5es, fotos e edi\u00e7\u00f5es, meu irm\u00e3o atua comigo e meu pai faz a minha assessoria de imprensa e meu m\u00eddia kit&#8221;, comentou.<\/p>\n<p>Apesar dos desafios do in\u00edcio de carreira, hoje a modelo se mostra muito esperan\u00e7osa sobre o futuro dos influenciadores digitais com defici\u00eancia. &#8220;Eles devem ir trabalhar na grande m\u00eddia.&#8221;<\/p>\n<h2>N\u00e3o \u00e9 uma vida triste<\/h2>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma vida sofrida. Eu consigo falar de diversos assuntos&#8221;, afirmou a influenciadora digital mineira<strong>\u00a0Stephanie Marques<\/strong>. Desde 2019, Stephanie vem crescendo no Instagram com conte\u00fados relacionados ao universo feminino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de ter mais de um ano de carreira, ela contou que somente no in\u00edcio deste ano que ela come\u00e7ou a falar sobre a sua defici\u00eancia. &#8220;J\u00e1 que eu sou uma pessoa com defici\u00eancia, resolvi abrir mais esse assunto no meu perfil&#8221;. A mineira tem mais de 5 mil seguidores no Instagram e continua expandindo sua presen\u00e7a na plataforma.<\/p>\n<p>Com essa atitude de falar sobre a sua defici\u00eancia, Stephanie notou como ela consegue atingir a sociedade. &#8220;Acho que o meu conte\u00fado mostra a representatividade. No meu caso, com baixa estatura, mostra eu levo a vida de uma forma extremamente normal, assim como qualquer outra pessoa deveria levar&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o sou nenhum exemplo de supera\u00e7\u00e3o ou que eu sou guerreira. Eu sou apenas uma mulher adulta de baixa estatura vivendo a minha vida. As pessoas t\u00eam esse olhar inicial de que uma pessoa com defici\u00eancia \u00e9 uma pessoa coitadinha e sofrida. E quando elas olham o meu conte\u00fado e tudo o que eu mostro e represento, essa vis\u00e3o muda.&#8221;<\/p>\n<p>A influencer completa que o seu gosto para moda tamb\u00e9m ajudou a quebrar esse preconceito. &#8220;Tenho um consumo de moda consciente e meu estilo \u00e9 muito minimalista, ent\u00e3o as pessoas tamb\u00e9m se identificam com essa vis\u00e3o. E eu sei que isso tamb\u00e9m quebra os preconceitos pois eu passo essas ideias de uma forma muito tranquila. Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma vida sofrida, eu consigo falar de v\u00e1rios assuntos.&#8221;<\/p>\n<div class=\"col-xs-12 ads ads__with-bg hidden-print p-0 mt-25 mb-25 p402_hide\">Al\u00e9m da moda, Stephanie conta que o humor ajuda bastante a cativar o p\u00fablico. &#8220;A gente consegue dar um serm\u00e3o. E \u00e9 uma estrat\u00e9gia que eu me identifico super&#8221;.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>FONTE:<\/div>\n<div><a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/gerais\/2020\/10\/19\/interna_gerais,1195506\/pessoas-com-deficiencia-usam-redes-sociais-para-combater-preconceitos.shtml\">ESTADO DE MINAS GERAIS<\/a><\/div>\n<div data-ads-callback=\"event.isEmpty &amp;&amp; (elmtg.parentNode.style.display = &quot;none&quot;)\" data-google-query-id=\"CMmd59a89ewCFQYFuQYdthkIyQ\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Influenciadores digitais\u00a0com algum tipo de\u00a0defici\u00eancia f\u00edsica\u00a0t\u00eam combatido o preconceito com humor e informa\u00e7\u00e3o. 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