Casa Conceito sensibiliza visitantes para mostrar a importância da democratização do acesso a todos os espaços


São Paulo, junho de 2019– Fogão preto, bancada branca. O contraste de cores faz toda a diferença. Pode parecer algo irrelevante, mas para quem tem baixa visão é um detalhe primordial para uma rotina segura e independente. A Casa Conceito está na Reatech– Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade propondo esta experiência aos visitantes.

Idealizadora do projeto, a arquiteta Gabriella Zubelli mostra no estande da Direct Borrachas uma casa adaptada com quatro ambientes com várias linhas de acessibilidade. Armários modulares, altura correta dos móveis, roupas com informações em braile e acessórios que facilitam a identificação nos tecidos. A ideia é proporcionar um ambiente para que todos os visitantes tenham uma experiência da rotina de pessoas com deficiência. “A nossa proposta é fazer com que pessoas que não precisam de lugares adaptados sintam como é importante pensar nesses detalhes. Casas adaptadas são boas para todas as pessoas”, explica a arquiteta.

Sentar em uma cadeira de rodas pela primeira vez e sentir o espaço com uma nova perspectiva. Não dá para pegar um item que  pessoa precisa se ele estiver muito alto. Não dá para abrir uma porta de armário se ela for muito baixa. “Pequenos detalhes que só percebemos quando nos colocamos no lugar do outro”, conta Zubelli. Com essa proposta de provocar o público, muitos saem da Casa Conceito mais sensibilizados, fica mais evidente que é preciso avançar muito para a democratização dos acessos.

Se o visitante quiser imergir ainda mais no assunto, a venda nos olhos mostra que o tato é mais importante do que estamos acostumados. Uma simples organização no guarda-roupas pode dar mais autonomia a quem não consegue enxergar. É só explorar texturas e colocar legendas em braile onde for preciso.

As visitas guiadas na Casa Conceito são abertas a todos os visitantes no estande da Direct Borrachas, das 13h às 20h. As visitas são acompanhadas por profissionais especializados de cada área e produtos de acessibilidade.

 

Invenções de pai melhoram bem estar de seu filho e dão origem a startup

Marcelo Pirk é arquiteto de formação, mas trabalha com computação gráfica e desenvolve aplicativos desde 2010. O nascimento de seu filho há 12 anos, porém, mudou um pouco seu foco. Por ele ter nascido com mielomeningocele – uma malformação congênita da coluna vertebral -, Pirk começou a trabalhar em soluções para melhorar seu bem estar. Deu tão certo que duas dessas soluções ganharam prêmios e uma delas deu origem a uma startup.

Pirk esteve na Reatech – Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade nesta sexta (14) para falar sobre suas invenções e sua startup, ainda sem nome definido. Seu principal produto, porém, já é certo: um mobile biofeedback. Trata-se de um sensor que capta qualquer o esforço muscular, o traduz em números e envia por bluetooth para um aplicativo de celular.

“Isso não chega a ser novidade. A ferramenta que desenvolvi, no entanto, colhe os dados a partir de um game – semelhante ao flappy bird. À medida que o usuário joga, mais dados são gerados e transformados em relatórios. Com esses relatórios, é possível medir o progresso fisioterapêutico”, diz.

Como se poder ver, essa solução transforma uma tarefa monótona, tediosa, em algo lúdico, divertido, importante para atrair e manter a atenção dos pequenos. A ideia agora é expandir o projeto para que atenda outros tipos de patologias – e também aumentar o número de jogos compatíveis.

Vale a pena falar de outros dois projetos passados de Pirk: o p-plot, app que facilitava o controle miccional de seu filho, e uma exo-órtese customizada, cujo modelo foi fabricado em uma impressora 3D e que acabou com as feridas que apareciam a cada duas semanas no pé do menino.

 

Muito além das cotas: empresas querem ajudar pessoas com deficiência a obter empregos em suas áreas de atuação

Quase 60% das pessoas com deficiência que desistiram de seu último trabalho citaram a falta de perspectiva de carreira como um dos principais fatores para a decisão. O segundo fator mais mencionado foi “se sentir apenas como um funcionário de cota”, com 52%. 

Esses dados estão em pesquisa realizada pela i.Social, em parceria com a Associação Brasileiras de Recursos Humanos e a Catho, empresa de classificados online de currículos e vagas. A Catho, pela primeira vez uma das expositoras da Reatech – Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade, quer mudar esse panorama.

“Queremos uma inclusão genuína, que pessoas com deficiência se recoloquem no mercado fazendo o que elas sabem e gostam de fazer, não somente para cumprir uma lei”, disse na quinta (15) Maiara Tortorette, coordenadora marketing da empresa. “Desde 2016 o site é gratuito para pessoas com deficiência que são abrangidas pela Lei de Cotas. Nossa ideia, ao vir para a Reatech, é divulgar essa informação aos profissionais, cadastrá-los no site e ajudá-los, com orientação, na obtenção de um emprego”, 

O Ágora, também presente na Reatech, segue a mesma linha. Com atuação em 14 países da América Latina, trata-se de um programa de inclusão e qualificação profissional voltado às pessoas com deficiência visual (cegas e com baixa visão). Durante a feira, além de orientar e fazer o cadastro de pessoas à procura de oportunidades de trabalho, buscará fechar parcerias com empresas empregadoras.

 

Liberdade de locomoção

"Tornar os usuários de cadeiras de rodas protagonistas de suas vidas." Essa foi a meta do doutor em Engenharia Mecânica, Júlio Oliveto, ao criar a Livre Soluções, empresa que produz o Kit Livre, que proporciona mais liberdade ao cadeirante.“Queríamos criar uma solução capaz de aumentar a liberdade das pessoas que dependem de cadeira de rodas para sua mobilidade”.

O sistema, que está em exposição na Reatech 2019, consiste em incluir um guidão de moto com um motor elétrico, que varia de 350 watts a 1.500 watts. “A intenção foi ter um olhar mais jovem na solução de mobilidade para cadeirante”, diz Oliveto.

A empresa surgiu há cinco anos de um projeto de conclusão de mestrado do engenheiro. “Tentamos encontrar uma empresa para licenciar a patente, mas não encontramos interessados. Então resolvemos montar nossa própria fabricante”, explica Oliveto. “Cheguei a ser chamado de maluco por apostar no modelo, mas hoje já estamos consolidados,” garante. 

Além dos kits destinados ao trânsito urbano, a Livre também tem o que chama de Kit Flex, destinado à prática fora de estrada ou Hand Bike.Com custo a partir de R$ 4 mil, o Kit Livre pode chegar a R$ 12 mil.

 

Tecnologia ajuda no desenvolvimento das capacidades cognitivas

A capacidade cognitiva é pouco explorada e pode representar um grande avanço no desempenho tanto de atletas de alta performance como do cidadão comum. A afirmação é do doutor em Neurociência e CEO da Sensorial Sport, Milton Ávila, que falou sobre  “Monitoramento e desenvolvimento de capacidades cognitivas: como favorecer um atleta pós-lesão e em recuperação?” durante a Reasem – Seminário de Tecnologias de Reabilitação e Inclusão, que acontece na Reatech 2019.

“Nós utilizamos nossos sentidos para obter informações a respeito do mundo que nos rodeia, e também a respeito do nosso próprio corpo, ou seja, nossa propriocepção (capacidade em reconhecer a localização espacial do corpo, sua posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação às demais). Em grande parte das situações, o cérebro humano utiliza a informação visual para guiar as escolhas. Isso quer dizer que nós baseamos muitas das nossas decisões no que vemos”, explica Ávila

Utilizando de tecnologia, em especial os óculos de realidade virtual, Ávila diz que a Sensorial Sports é capaz de monitorar e treinar as capacidades cognitivas. “Assim, podemos criar filtros que nos interessam para fazer com que a atenção da pessoa não se desvie de seu objetivo, o que mantém o foco e garante maior desempenho”.

Numa segunda fase é utilizada tela de toque para desenvolver a capacidade de resposta do cérebro aos comandos. Se nossos sentidos (em especial a visão) são tão importantes para as nossas decisões, como melhorar a forma como percebemos o ambiente?”, questiona Ávila.Existem algumas ferramentas que geram demandas para o nosso cérebro e, por consequência, treinam a nossa cognição.E é isso que fazemos”.

A grande vantagem, de acordo com Ávila, é que “mantendo o trabalho cognitivo ativo, é possível também melhorar as condições de vida enquanto há limitações físicas”.

 

Comunicação alternativa e tecnologias assistivas para pessoas com deficiência

Rafael é uma criança com deficiência intelectual e motora, e com sérias limitações para se comunicar. Para superá-las, usa diversas ferramentas e tecnologias. Na Reatech – Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade, ele estava com um iPad, e, assim, ajudou  a psicopedagoga Liana Santos, de quem é paciente, em sua palestra.

A palestra de Liana aconteceu nesta sexta (14) no espaço Tecfisio, que congrega seminários de tecnologias avançadas em fisioterapia. Como especialista em educação especial, ela falou sobre como a psicomotricidade – isso é, a integração das funções motoras e psíquicas – associada a tecnologias assistivas, pode ajudar nos desafios de comunicação que muitas pessoas de comunicação têm.

“Essa comunicação alternativa, e o ensino dela, tem que estar à serviço do dia a dia, para que a criança, por exemplo, possam ir à escola e os pais possam se comunicar com seus filhos”, afirmou.

Liana abordou diversos assuntos e detalhou uma série de conceitos. Em suma, destacou que, como a comunicação não depende somente da linguagem oral ou escrita, pois abrange também sinais, gestos e expressões, pessoas com deficiência podem aproveitar esses recursos para entender e se fazer entender.

Nesses casos, a tecnologia serve como aliada. Rafael, rindo e sorrindo com o seu iPad, demonstrou o quanto isso é verdade.

Serviço:

16ª Reatech 2019
Data
: 13 a 16 de junho

Horários:
Dias 13 e 14, das 13h às 20h, 
Dias 15 e 16, das 10h às 19h
Local: São Paulo Expo Exhibition & Convention Center
https://reatechbrasil.com.br/16/

 

Sobre a Cipa Fiera Milano

A Cipa Fiera Milano, filial brasileira da Fiera Milano, um dos maiores players de feiras e congressos do mundo que a cada ano atraem aproximadamente 30 mil expositores e mais de cinco milhões de visitantes, tornou-se sócio majoritário da Cipa do Brasil em 2011, dando origem à Cipa Fiera Milano. No Brasil, são realizadas nove feiras que representam os mais diversos segmentos da economia, como segurança, energias limpas e sustentáveis, tubos e conexões, cabos e fios, saúde no trabalho, tratamento de superfícies, esquadrias, tecnologias em reabilitação, inclusão e acessibilidade, entre outras. Entre as principais marcas do portfólio estão Exposec, Fisp, Fesqua, Ebrats, Ecoenergy e Reatech.

 

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